
O que é
O câncer de ovário se origina nos ovários ou nas tubas uterinas. O tipo mais frequente é o carcinoma epitelial, e há hoje forte evidência de que boa parte desses tumores começa, na verdade, na porção final da tuba uterina.
Ao contrário do câncer de mama e do colo do útero, não existe exame de rastreamento eficaz para a população geral. Nem o ultrassom nem o marcador CA-125 se mostraram capazes de reduzir a mortalidade quando aplicados a mulheres sem sintomas.
Sintomas que não devem ser normalizados
Os sinais são inespecíficos, o que explica o diagnóstico frequentemente tardio. O que os diferencia de um desconforto passageiro é a persistência — presentes na maior parte dos dias, por mais de duas ou três semanas, e com início recente:
- inchaço ou aumento do volume abdominal que não regride;
- sensação de estar cheia logo no início da refeição;
- dor abdominal ou pélvica contínua;
- vontade de urinar com mais frequência ou urgência;
- alteração recente do hábito intestinal;
- cansaço sem causa aparente e perda de peso não intencional.
Quando esses sintomas aparecem juntos e não passam, a investigação com exame ginecológico e ultrassom transvaginal é justificada.
Como o diagnóstico é feito
A investigação combina exame físico, ultrassom transvaginal, dosagem do CA-125 e tomografia. O CA-125 é útil como apoio e para acompanhar a resposta ao tratamento, mas pode se elevar em condições benignas — endometriose e miomas, por exemplo — e permanecer normal em parte dos casos iniciais. Ele não confirma nem afasta o diagnóstico sozinho.
Na maioria das situações, a confirmação e o estadiamento acontecem na própria cirurgia, com análise do material retirado.
O tratamento clínico
O tratamento padrão combina cirurgia e medicação:
- Cirurgia citorredutora — remove a maior quantidade possível de doença. A quantidade de tumor residual ao fim da operação é um dos fatores que mais influenciam o resultado.
- Quimioterapia — os esquemas baseados em platina e taxano são a base do tratamento, aplicados antes ou depois da cirurgia conforme o caso.
- Terapia de manutenção — os inibidores de PARP prolongaram de forma relevante o tempo livre de doença, especialmente em pacientes com mutação em BRCA ou com deficiência de recombinação homóloga. O antiangiogênico bevacizumabe também é usado em situações selecionadas.
Teste genético: por que é indicado a todas
Toda paciente com carcinoma epitelial de ovário tem indicação de teste genético, independentemente da idade ou da história familiar. Cerca de uma em cada cinco carrega uma mutação hereditária, com destaque para BRCA1 e BRCA2.
A informação é prática, não acadêmica: define a elegibilidade a medicamentos específicos e permite que familiares saibam se também precisam ser avaliados.
Está com um exame alterado ou um diagnóstico recente?
O acompanhamento com oncologista clínica pode ser agendado no Hospital Santa Rita de Cássia
(particular e convênios) ou na Unimed Oncologia Vitória.
Perguntas frequentes
Cisto no ovário vira câncer?
A grande maioria dos cistos ovarianos é benigna, especialmente os funcionais, que aparecem e desaparecem ao longo do ciclo. O que orienta a conduta é o aspecto do cisto no ultrassom, o tamanho, a idade e a evolução ao longo do acompanhamento.
Existe exame de rotina para detectar câncer de ovário?
Não para a população geral. Estudos amplos mostraram que rastrear mulheres sem sintomas com ultrassom e CA-125 não reduziu a mortalidade. Mulheres com mutação em BRCA ou forte história familiar seguem estratégia diferente, definida individualmente.
CA-125 alterado significa câncer?
Não necessariamente. O CA-125 sobe em várias condições benignas, como endometriose, miomas, infecções pélvicas e até durante a menstruação. Ele é interpretado sempre em conjunto com os exames de imagem e o quadro clínico.
Retirar as tubas previne câncer de ovário?
Há evidência de que a remoção das tubas, quando a mulher já vai passar por outra cirurgia pélvica e não deseja mais engravidar, reduz o risco. É uma conversa a ter com o ginecologista, considerando o caso individual.
Outras áreas de atuação
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta médica, não estabelece diagnóstico e não indica tratamento. Cada caso precisa ser avaliado individualmente. Texto sob responsabilidade da Dra. Virgínia Altoé Sessa — CRM-ES 11792 · RQE 10514. Última revisão: 20 de agosto de 2026.