
O que é
O endométrio é a camada que reveste o interior do útero e se renova a cada ciclo menstrual. O câncer de endométrio surge quando essas células passam a crescer de forma descontrolada — é o que popularmente se chama de "câncer no útero", embora seja distinto do câncer de colo do útero, que tem causa e tratamento diferentes.
É mais comum depois da menopausa, embora possa ocorrer antes, sobretudo em mulheres com fatores de risco.
O sinal principal: sangramento anormal
Em torno de nove entre dez pacientes apresentam sangramento uterino anormal. Isso inclui:
- qualquer sangramento após a menopausa — mesmo pequeno, mesmo uma única vez;
- sangramento entre as menstruações;
- menstruações que ficaram muito mais intensas ou prolongadas;
- corrimento persistente de aspecto aquoso ou rosado.
Sangramento pós-menopausa tem causa benigna na maioria das vezes — atrofia endometrial é a explicação mais comum. Ainda assim, nunca deve ser atribuído à idade sem investigação.
Fatores de risco
A maior parte dos casos tem relação com exposição prolongada ao estrogênio sem a contraposição da progesterona:
- obesidade — o tecido adiposo produz estrogênio, e este é o fator de risco modificável mais relevante;
- diabetes tipo 2 e síndrome dos ovários policísticos;
- nunca ter engravidado;
- primeira menstruação precoce ou menopausa tardia;
- uso de estrogênio isolado na reposição hormonal;
- uso de tamoxifeno no tratamento do câncer de mama;
- síndrome de Lynch, condição hereditária que aumenta o risco de câncer de endométrio e de intestino.
Diagnóstico e classificação molecular
A investigação começa com ultrassom transvaginal, que mede a espessura do endométrio, e se confirma com biópsia — obtida por aspiração ou por histeroscopia.
Nos últimos anos o diagnóstico ganhou uma camada adicional: a classificação molecular, que separa os tumores em quatro grupos de comportamento distinto (alterações em POLE, deficiência de reparo do DNA, alteração em p53 e um grupo sem perfil específico). Essa classificação refina a estimativa de risco e ajuda a decidir quem realmente precisa de tratamento complementar após a cirurgia — evitando tanto o excesso quanto a falta.
O tratamento clínico
A cirurgia é a base do tratamento na doença inicial e, sozinha, resolve boa parte dos casos. A partir daí:
- Radioterapia e/ou quimioterapia complementares — indicadas conforme o estágio, o tipo histológico e o perfil molecular.
- Hormonioterapia — opção em tumores com receptores hormonais positivos e em situações selecionadas.
- Imunoterapia — mudança relevante no tratamento da doença avançada, com benefício particularmente expressivo nos tumores com deficiência de reparo do DNA.
Está com um exame alterado ou um diagnóstico recente?
O acompanhamento com oncologista clínica pode ser agendado no Hospital Santa Rita de Cássia
(particular e convênios) ou na Unimed Oncologia Vitória.
Perguntas frequentes
Sangramento depois da menopausa é sempre grave?
Não, mas sempre precisa ser investigado. A causa mais comum é benigna, porém é justamente esse sintoma que permite diagnosticar o câncer de endométrio cedo. Adiar a avaliação é o que traz risco.
Câncer de endométrio é o mesmo que câncer de colo do útero?
Não. São doenças diferentes: o de endométrio surge no revestimento interno do útero e não tem relação com o HPV; o de colo do útero surge na entrada do útero e é causado pela infecção persistente pelo HPV.
Existe exame de rastreamento?
Não para a população geral — o que funciona é investigar o sangramento assim que ele aparece. Mulheres com síndrome de Lynch seguem um protocolo próprio de acompanhamento.
Perder peso ajuda?
Sim. O excesso de peso é o principal fator de risco modificável para esse tumor, e a redução do peso corporal diminui o risco. É também uma medida que melhora o resultado de outros aspectos da saúde.
Outras áreas de atuação
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta médica, não estabelece diagnóstico e não indica tratamento. Cada caso precisa ser avaliado individualmente. Texto sob responsabilidade da Dra. Virgínia Altoé Sessa — CRM-ES 11792 · RQE 10514. Última revisão: 20 de agosto de 2026.