
O que é
O câncer de mama surge quando células do tecido mamário passam a se multiplicar de forma desordenada. A maior parte dos casos se origina nos ductos que conduzem o leite (carcinoma ductal) e uma parcela menor nos lóbulos produtores (carcinoma lobular).
Não se trata de uma doença única. O comportamento do tumor — e, por consequência, o tratamento indicado — depende de características biológicas que só a análise laboratorial revela.
Sinais que merecem avaliação médica
A maioria das alterações mamárias é benigna. Ainda assim, os achados abaixo justificam consulta sem adiamento:
- nódulo endurecido, fixo e geralmente indolor na mama ou na axila;
- alteração da pele: retração, espessamento ou aspecto de casca de laranja;
- saída espontânea de secreção por um único mamilo, sobretudo se sanguinolenta;
- inversão ou retração recente do mamilo;
- ferida que não cicatriza na aréola ou no mamilo;
- mudança perceptível no tamanho ou no formato de uma das mamas.
Dor mamária isolada, sem nódulo associado, raramente é sinal de câncer — mas também merece avaliação quando persistente.
Rastreamento: quando fazer mamografia
Rastreamento é o exame feito em quem não tem sintoma, com o objetivo de encontrar a doença antes que ela se manifeste. No Brasil há mais de uma recomendação em vigor:
- o Ministério da Saúde e o INCA recomendam mamografia a cada dois anos, dos 50 aos 69 anos;
- as sociedades médicas de especialidade — mastologia, radiologia e ginecologia — recomendam mamografia anual a partir dos 40 anos.
Mulheres com história familiar importante, mutação genética conhecida ou outros fatores de risco podem precisar começar mais cedo e associar ressonância magnética. Essa definição é individual e deve ser feita em consulta.
Como o diagnóstico é confirmado
A suspeita levantada pelo exame clínico ou pela imagem só se confirma com biópsia. O material retirado é analisado ao microscópio e submetido à imuno-histoquímica, que identifica:
- receptores hormonais (estrogênio e progesterona);
- HER2, uma proteína ligada ao crescimento celular;
- Ki-67, marcador da velocidade de multiplicação das células.
Essas informações separam o câncer de mama em subtipos — luminal, HER2-positivo e triplo-negativo — e são elas que determinam qual tratamento tem chance real de funcionar. Por isso a espera pelo laudo completo, ainda que angustiante, não é tempo perdido.
O tratamento clínico
O tratamento é conduzido por uma equipe. Ao oncologista clínico cabe a parte medicamentosa:
- Quimioterapia — pode ser indicada antes da cirurgia (neoadjuvante), para reduzir o tumor e permitir uma operação menor, ou depois (adjuvante), para diminuir o risco de retorno da doença.
- Hormonioterapia — usada nos tumores com receptores hormonais positivos, normalmente por vários anos.
- Terapia-alvo — medicamentos dirigidos a alvos específicos, como os anticorpos anti-HER2 nos tumores HER2-positivos.
- Imunoterapia — incorporada ao tratamento de subgrupos, com destaque para parte dos casos triplo-negativos.
Cirurgia e radioterapia entram no plano conforme o estágio e a resposta ao tratamento, em decisão conjunta com as equipes de mastologia e radio-oncologia.
Quando o risco é hereditário
Cerca de 5 a 10 casos em cada 100 estão ligados a mutações herdadas, sendo as mais conhecidas as dos genes BRCA1 e BRCA2. Diagnóstico antes dos 45 anos, câncer nas duas mamas, câncer de mama masculino na família ou associação com câncer de ovário são situações que indicam aconselhamento genético.
O resultado muda condutas concretas: escolha do tratamento, extensão da cirurgia, seguimento e orientação para familiares.
Está com um exame alterado ou um diagnóstico recente?
O acompanhamento com oncologista clínica pode ser agendado no Hospital Santa Rita de Cássia
(particular e convênios) ou na Unimed Oncologia Vitória.
Perguntas frequentes
Nódulo na mama é sempre câncer?
Não. A maioria dos nódulos mamários é benigna — cistos e fibroadenomas são achados comuns. O que define a natureza do nódulo é a avaliação clínica somada aos exames de imagem e, quando indicado, a biópsia.
Preciso fazer quimioterapia em todos os casos?
Não. A indicação depende do subtipo do tumor, do estágio e de fatores individuais. Há casos em que a hormonioterapia isolada é suficiente, e existem testes que ajudam a decidir quando o benefício da quimioterapia é pequeno.
Quanto tempo dura o tratamento?
Varia bastante. A fase de quimioterapia costuma levar alguns meses; a hormonioterapia, quando indicada, é mantida por cinco a dez anos. O plano é definido caso a caso na consulta.
Homens podem ter câncer de mama?
Sim, embora seja raro — menos de 1% dos casos. Qualquer nódulo mamário em homem deve ser investigado.
Outras áreas de atuação
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta médica, não estabelece diagnóstico e não indica tratamento. Cada caso precisa ser avaliado individualmente. Texto sob responsabilidade da Dra. Virgínia Altoé Sessa — CRM-ES 11792 · RQE 10514. Última revisão: 20 de agosto de 2026.